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  • dezembro 22, 2017 ----------- Voltando Aos Cachos

    Oi genteeee! Hoje na categoria #VoltandoAosCachos, trouxe o depoimento da Mel Gonçalves. Ela tem 14 anos, mora em Videira, Santa Catarina, e ainda é a responsável pelo #ApenasAnaMoments, um fã-clube que existe desde janeiro de 2017! Mel, obrigada pelo carinho e por compartilhar com a gente a sua história linda. Espero que vocês também gostem!<3

     

    Desde minha infância o meu cabelo foi um imenso problema para mim. No colégio, meus colegas tiravam sarro de mim, me chamando de bruxa e outras coisas pelo volume do meu cabelo. Cresci com a certeza de que eu era feia, inútil e tinha algo de muito ruim comigo, e, com a textura de meu cabelo. Lembro-me da primeira vez que me vi de cabelo alisado, sem frizz nenhum e volume. Era como ver no espelho o que eles sempre cobraram de mim, era como finalmente se encaixar em um padrão que agora era alcançável. Eu não sabia se aquilo significava realmente se sentir bonita, mas eu estava como todas as outras meninas que já conheci. O tempo foi passando e auto estima nunca deixou de ser um pesadelo na minha vida. Chorar noites e noites lembrando de comentários ruins que as pessoas diziam de mim, não aceitar que eu era diferente e possuía um propósito de vida. Através de meu olhar solitário e vazio, todo mundo que me conhecia conseguia notar que a minha imagem não era algo positivo para mim.

     

     

    O ano de 2015 acabou e minha certeza de que cabelo liso era algo bom para mim, também. Fui surpreendida por uma mudança gigante na minha vida, muitas pessoas se afastando de mim, novos pensamentos, novos desejos… Foi em uma daquelas noites tristes em que eu me sentia mal que caí no canal da Ana Lídia Lopes, e, a partir daí, meu coração ganhou um novo rumo. Transição capilar? Oque seria isso? Eu me perguntava. Até pesquisar muito sobre o termo, técnicas e mais, deixei a química de lado e decidi dar uma chance para os meus cachos. A verdade é que eu mal sabia no que aquilo iria resultar, como meu cabelo era, mas eu precisava e tinha muita sede de mudar e mostrar para as pessoas que eu poderia sim dar a volta por cima. Em 2016 inteiro, meu cabelo rejeitou muitos produtos, foi difícil para mim entender que ele tinha seu tempo. Eu usava algumas técnicas erradas, mas com as dicas incríveis da internet eu pude compreender como cuidar dele com todo carinho. Ele não estava o cabelo mais lindo do universo, mas ele estava meio que se apresentando para mim.

     

     

    Quando o ano seguinte acabou, decidi tomar mais uma decisão importante. Fazer um corte adequado ao meu tipo de cabelo, assim, ele poderia vir a cachear mais e minha transição poderia acabar. Posso dizer, hoje, que foi uma das melhores decisões que já tomei (claro, depois de decidir não usar mais prancha). O corte que fiz deixou meu cabelo com cachos lindos, os cachos que tinha quando era criança. As pessoas começaram a reconhecer o quanto eu estava única e bonita do meu jeitinho, assim, também perceberam que eu me aceitei antes de qualquer mudança. Hoje eu recebo elogios de muita gente que já me rejeitou. Quando meu cabelo não cacheava tanto mas mesmo assim eu persisti nele, as pessoas questionavam o porque eu não voltava a alisar. Mas agora, que tudo tinha passado e meu cabelo natural estava ali para arrasar, elas sempre davam um jeito de me dizer que eu fui corajosa e muito verdadeira para assumir meu cabelo cacheado natural. 

     

     

    O que é autoestima para você? Acho que autoestima revela o valor que você oferece a si mesmo, apesar dos dias ruins e das dificuldades que já enfrentou. A verdade é que você não vai ter autoestima depois que as pessoas ao seu redor te acharem bonita, isso acontecerá quando você se olhar no espelho e reconhecer a sua singularidade. Persista, insista, lute para viver sua beleza. Todas nós somos incríveis o suficiente para sentir a maravilhosidade que é o amor próprio. Após adquirir autoestima, e, finalmente, entender o que ela é, você sente que pode conquistar o mundo sendo apenas você mesma. Afinal, todas nós podemos se amarmos o que somos.

    O que mudou na sua vida depois que você se aceitou? Posso fielmente dizer que tudo. Antes eu tinha medo de conhecer pessoas novas, me socializar com quem estava ao meu redor, era muito tímida e insegura comigo mesma. O que eu sentia era que antes mesmo de me apresentar para alguém, aquela pessoa iria me achar feia ou estranha. Hoje as coisas são diferentes, pois criei uma força que ás vezes parece não vir de mim. Tudo bem se alguém não gostar de quem eu sou aparentemente, porque eu sinto e reconheço meu próprio valor. Podem existir milhares de pessoas melhores que eu, mas eu me amo assim, exatamente como eu sou. E não há nada que se compara a segurança e a paz interior de ser quem você deseja ser, e de não precisar de ninguém para entender isso. Quero que as pessoas um dia se vejam como Deus as veem, não como o mundo. Talvez assim seríamos mais gratos e abriríamos os olhos para a vida incrível que merecemos ter.

    dezembro 15, 2017 ----------- Voltando Aos Cachos

    Hoje é sexta-feira e vocês já sabem, né? Vim com mais um depoimento inspirador que vocês me mandam por e-mail. Dessa vez, quem contou a sua história com a transição capilar é a Pamela Christianne, que mora em Manhuaçu, Minas Gerais, e tem 22 anos. Espero que gostem! 😀

    E se você quiser mandar seu depoimento pra mim também, é só acessar essa página e ver como fazer. Quero muito conhecer a sua história!

     

     

    Há mais ou menos 3 anos comecei a me sentir insatisfeita com meu cabelo alisado, sempre tendo que ir ao salão fazer progressiva ou relaxamento. A cada sessão dessas “agressões” meu cabelo ficava pior, mais fraco, mais feio.
    Então comecei a pesquisar na internet e encontrei uma forma de me livrar dessa escravidão dá chapinha, comecei a deixar o cabelo crescer mas continuei a fazer chapinha. Quanto mais crescia o cabelo mais difícil ficava fazer escova e chapa, a raiz era muito crespa. Continuei…
    Vontade de desistir? Sim
    Mas continuei…

     

     

    4 meses depois de parar de aplicar química eu fiz Bc. Caraca, como foi difícil… Mas como foi libertador. Cabelo curtinho, as pessoas me encarando, zombando, dizendo que eu era louca, que meu cabelo liso era bem mas bonito. Como é que elas poderiam saber se nunca tinham visto meu cabelo natural? Na verdade nem eu mesma sabia.?

     

     

    Mas eu descobri coisas sobre meu cabelo…
    1°. Ele é lindo, coroa que ganhei através das minhas raízes.
    2°. Ele é forte, muuuito forte.
    3°. Ele é ótimo de crescimento (e eu sempre achei que ele não crescia).
    4°. Ele é leve, como uma nuvem de algodão-doce.
    E o 5° e mais importante ELE É O MEU CABELO, independente de modinha, independente de qualquer opinião, ou de qualquer tipo de racismo. Ele é meu e eu o amo do jeitinho que ele é. ❤

     

     

    O que é autoestima pra você? Autoestima é pra mim o fato de vc encarar o espelho e gostaria do que você vê, mesmo que a sociedade não aceite ou as pessoas não gostem.

    O que mudou na sua vida depois que você se aceitou? Tudo. Minha forma de me enxergar, a forma como eu cuido de mim e dá minha aparência.

    dezembro 8, 2017 ----------- Voltando Aos Cachos

    Oi genteee! Hoje trouxe a história da Letícia Ramos de Souza, que tem 18 anos e é de Recife, Pernambuco. Acho que vocês vão se identificar bastante com o depoimento dela. Para continuar acompanhando, é só seguir seu Instagram. Espero que gostem. 🙂

    E se você quiser mandar seu depoimento pra mim também, é só acessar essa página e ver como fazer. Quero muito conhecer a sua história!

     

    Na minha família todo mundo tem cabelo cacheado ou crespo. E adivinhem? Pelo menos 80% de todas as mulheres o alisaram. Então eu cresci achando que minhas madeixas eram volumosas demais, feias demais, e minhas referências nos desenhos, nos filmes e até as barbies contribuiam para eu acreditar ainda mais nisso. Aos sete anos, com a justificativa de que cuidar do meu cabelo dava muito trabalho (eu não deixava ele quieto, literalmente) minha avó passou relaxamento (sim, aos 7 anos), e a partir de aí, meus cachos foram perdendo forma.

     

     

    Com uns 10 anos, minha tia tentou fazer com que eu assumisse os cachos, mas não rolou muito. Eu acabava de entrar naquela fase que a gente se acha super-hiper-adolescente e super-hiper-me-importava-em-ter-o-cabelo-liso. Usei muita chapinha+relaxamento e meu cabelo foi se partindo gradativamente, o que me fez o cortar cada vez mais. Eu passava horas todos os dias na frente do espelho passando chapinha. Me julgavam por fazê-lo, mas quando nao o fazia era criticada igualmente. No terceiro ano, quando estava me preparando para o vestibular, percebi que perdia muito tempo de estudo massacrando minha própria autoestima.

     

     

    Decidi parar de dar chapinha assim, sem pensar muito, nem ter os cuidados específicos, apenas parei. Com o tempo descobri que essa fase tinha nome: “transição”; comecei a pesquisar e amar cuidar do meu cabelo. 9 meses depois resolvi fazer o BC, ato que pensei que nunca teria coragem. Agora em abril vai fazer um ano que eu me libertei e foi só amor, mais do que cabelo, eu me empoderei como mulher negra, eu me descobri e aprendi a me amar.

    obs: até minha mae entrou nessa onda de assumir os cachos. ♥

     

     

    O que é autoestima pra você? É conseguir reconhecer o SEU melhor. Deixar de ter como meta aquilo que dizem que é O MELHOR.

    O que mudou na sua vida depois que você se aceitou? Eu simplesmente não me importo mais com o que falam. Eu simplesmente escuto meu coração e sigo as minhas vontades, literalmente sigo as minhas regras.

    dezembro 1, 2017 ----------- Voltando Aos Cachos

    Oi genteee! Sexta é dia de post #VoltandoAosCachos com muitas das histórias lindas de vocês. Hoje vou compartilhar o depoimento da Leilaine Alves de Rezende que tem 24, mora em Cuiabá, Mato Grosso, e é redatora publicitária. Espero que gostem! Vocês podem continuar acompanhando a Leilaine no Instagram. 🙂

    E se você quiser mandar seu depoimento pra mim também, é só acessar essa página e ver como fazer. Quero muito conhecer a sua história!

     

    Era 2006 e no alto dos meus 13 anos eu via coleguinhas da escola sendo elogiadas pelo balanço nos cabelos, soltos no pátio nos dias de educação física. Eu também os queria. O meu, sempre rebelde e volumoso, era contido num grandioso rabo de cavalo no topo da cabeça, com a frente bem lisa, colada no couro cabeludo e emplastada de creme Seda, gerando uma caspa sem igual. Tinha vontade de tê-los soltos. Foi quando uma cabeleireira, amiga da família, sugeriu a minha mãe que eu fizesse um relaxamento leve.

    Quando eu vi o resultado, não me aguentava. Usava solto no colégio e nos encontros de sexta-feira. Pintava os olhos e também uns namoricos. A química da amônia em combinação com sol forte modificou a cor dos meus cabelos, o deixando de loiro escuro para ruivo queimado, tipo água de salsicha. Comecei a tingir, mas pouco adiantou: mais laranja ele ficava e ainda tive um corte químico porque tentei tingir e alisar no mesmo dia.

     

     

    Em 2007, entrei pro Instituto Federal e a insegurança aumentou. Só usava preso, mesmo ele estando com o volume baixo. Agora, tinha falhas no cabelo, algumas partes nasciam rebelde e não assentavam. Tinha muita vergonha. Em 2008, pintei de preto azulado e as partes que caíram já se disfarçavam no meio da juba. Continuava com a amônia religiosamente a cada 6 meses. Agora meu rosto ganhava destaque. O cabelo preto valorizou meus olhos castanhos e minha pela clarinha. Usei preto até 2009 e o cabelo cresceu, chegando na metade das costas. Sofrido, muito quebrado no comprimento.

    Já em 2010, mudei de cabeleireira e fiz relaxamento com guanidina. A raiz da parte da frente do meu couro cabeludo feriu, minava água e colava no cabelo. Tive feridas leves. Isso me deu vontade de parar com tudo. Fiquei 6 meses sem nada. Foi quando num primeiro pagamento de “freela” que fiz num cerimonial de evento, me veio a ideia de cair na modinha da escova marroquina. Corri pro salão e sai na maior felicidade. Cabelo beeeem baixinho, pouquíssimas ondas. Com menos de 3 meses, voltei pra retocar e acabei cortando nos ombros. Era o começo da mudança sem fim. Os cortes se sucederam… Até eu quase voltar ao natural. Encontrei uma nova cabeleireira, que me convenceu a voltar à amônia, agora num relaxamento bem mais leve que os primeiros (esse não afetava a cor).

    Em 2011 cortei mais Chanel, nuca batida. Cabelo voltava a ser saudável aos poucos, porém eu ainda não estava satisfeita.

    2012 resolvi radicalizar. Fiz luzes bem platinadas. Detonou, quebrou muito. Fiquei de junho até novembro somente tratando, hidratando. Conheci o cronograma capilar (hidratar, nutrir, reconstruir) e um complemento vitaminico (pill food).  Neste momento, eu lia blogs (vi o lindo cabelo da Rayza Nicácio e me apaixonei. Queria ser como ela!) que me mostravam que o cabelo afro tem sua beleza. Que assumi-lo era um voto político de gratidão às minhas raízes afro, era aceitar a maneira na qual Deus sonhou comigo quando me criou, era retomar minhas fotos na infância na qual eu era elogiada por ter um cabelo brilhoso e saudável. Aquela loira não era eu. Aquelas ondas discretas não refletia minha personalidade.

     

     

    Foi quando em novembro deste mesmo ano pedi a minha cabeleireira que me fez voltar a amônia e a usar o loiro da novela, a cortar “tudo que não era meu”. Ela assustou. Eu permaneci: tira toda a química que alisa e pinta as molinhas que brotam de mim. Quero-as de volta. Cortei. Assustei a todos a minha volta. Do trabalho, da família, amigos e namorado. Me chamavam de louca, inconsequente. De sapatão, sim. Achavam que tinha perdido a vaidade e que isso me faria perder o namorado. Sofri muito. Chorava quando ia sair e não sabia que roupa me deixaria mais feminina e menos girafa. Comecei a abusar de batons e maquiagens diferentes. Lenços e turbantes. Brincos, fiquei nos pequenos mesmo. Me habituei a usar sempre colares e óculos de sol.

    Esses novos hábitos me fizeram uma nova pessoa. Cortei propositalmente antes de entrar na UFMT, pois sabia que lá era o lugar de cabeça aberta. E acertei em partes. Foi um ótimo começo. Afinal aquele simples corte de cabelo me ajudou a filtrar amizades, amores, relações profissionais. Minha antiga profissão não permitia um cabelo volumoso num evento ou no lobby de um hotel. Era sinal de desleixo. Como estudante de publicidade, via veteranas indo pras agências com aqueles lindos Black powers e sendo reconhecidas como mulheres de atitude por isso me motivei cada vez mais.

     

     

    O cabelo foi crescendo, fiz poucos cortes no decorrer do tempo. Conheci a rotina no/low poo (através de um vídeo da Rayza que ela citava a técnica, fiquei curiosa e achei o grupo do facebook que faço parte ate hoje). Comecei a praticar em junho de 2013 e meu cabelo só crescia e respondia positivamente. Agora era eu refletida no espelho. Das diversas situações que vivi, a mais recorrente foi: “Nossa, porque você fez isso com você? Era tão lindo antes, menos rebelde.” Ou ainda “Nossa, tá volumoso né? E desse tamanho nem prender dá? Passa mais creme na próxima!” E mais absurdo que isso tem “Desse tamanho dá pra puxar na hora “H”? Porque cabelo de mulher é pra isso” Enfim. Mil coisas.

    Hoje, em pleno 2017, já cortei outras mil vezes, agora com menos apego ao comprimento e muito mais autoconfiança pra me permitir experimentar as minhas muitas identidades. O volume ainda incomoda onde passo. O frizz, a imperfeição e a irregularidade são questionados. Mas hoje sei que tudo isso virou traço de mim, reflexo da minha personalidade, da diferença que eu faço nesse mundo que tem muito que amadurecer quando o assunto é identidade.

     

     

    O que é autoestima pra você? É se amar em essência. Mesmo quando estou sem maquiagem, despenteada, com espinhas. É entender que somos humanos imperfeitos e é justamente aí que vive a nossa beleza.

    O que mudou na sua vida depois que você se aceitou? Me sinto muito mais segura no meu cotidiano. Isso significa que eu saí de um relacionamento desgastado que só se mantinha porque eu achava que ninguém me aceitaria com meu cabelo e personalidade. Isso me fez fazer uma segunda faculdade e ter outra profissão, porque acreditei que ainda era tempo de buscar algo que realmente me fizesse feliz. E se precisar, faço outra… Sempre há tempo. Me fez pensar mais em fazer coisas que EU GOSTO, do que só o que minha família, amigos, namorados gostam. Isso me fez me redescobrir como mulher, pessoa, humana.

    Apenas Ana (C) 2017 DESIGN POR SARA SILVA