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  • maio 4, 2018 // 1 Comentário

    Oi genteee! Às sextas-feiras sempre trago histórias lindas de meninas que passaram pelo processo da transição capilar para vocês se inspirarem e não desistirem dos seus caminhos. Hoje, vou compartilhar o depoimento da Ana Luiza Dias, que tem 18 anos e é de Florianópolis, Santa Catarina. A fala dela é muito importante para nós começarmos a refletir sobre os padrões impostos de beleza, e quebrarmos essa corrente. Acho que vocês vão se identificar e gostar tanto quanto eu!

    E se você quiser mandar seu texto pra mim também, é só acessar essa página e ver como fazer. Quero muito conhecer a sua história!

     

    A saga com meu cabelo começou cedo. Ele sempre foi muito volumoso e tinha pouca definição, talvez pelo fato de que eu não sabia cuidar e minha mãe também não. Meu cabelo vivia sempre amarrado e com bastante gel para evitar o frizz. Então, me sentia horrível com o ele de forma natural, para mim era uma tortura lavar o cabelo e sair de casa com ele solto, porque sabia que quando secasse, ele iria “armar” (acho esse verbo horrível, mas na época eu pensava exatamente assim – infelizmente não nascemos desconstruídas).  Aos 9 anos fiz o meu primeiro relaxamento, e para mim, na época, foi uma grande conquista. Passei a me sentir mais bonita. Afinal, as meninas que eram consideradas as “mais lindas” sempre tinham um cabelo super liso. Eu pensava: “agora sim! só com cabelo liso posso me sentir linda”. E assim, pensei por muitos anos.

     

     

    Depois dos relaxamentos, aos 11 anos passei a fazer progressivas. Mas sempre era uma tortura quando a raiz começava a crescer e eu tinha que ver como meu cabelo realmente era. Depois de um tempo meu cabelo ficou MUITO danificado e crescia pouco. Ele não era um cabelo saudável e bonito. Isso começou a me incomodar, porque eu não conseguia mais fazer ele parecer “liso natural” (afinal, meu sonho era ter cabelo liso). Então, em 2014, com 15 anos, fiquei por meses sem fazer progressiva, a raiz estava começando a crescer. Eu estava querendo assumir meu cabelo de vez. Contudo, eu não sabia lidar com a baixa auto estima proveniente das duas texturas que meu cabelo estava apresentando na época. Eu me sentia horrível. Assim, mais uma vez pensei que somente com cabelo liso eu poderia ser bonita e receber aprovação da sociedade, dos meninos, na escola e na vida social em geral. E alisei meu cabelo com progressivas mais duas vezes.

     

     

    No entanto, em julho de 2015, o sentimento de insatisfação com a “saúde” do meu cabelo junto aos gastos que eu tinha com progressiva, me surgiu um sentimento de ser quem eu sou, assumir minha identidade, ver o quanto eu poderia ser bonita sendo simplesmente eu mesma. Além disso, passei a perceber os preconceitos enraizados em nossa sociedade, que pressionam muitas meninas a alisarem seus cabelos, sem ao menos pensarem qual o motivo dessa vontade insana de ter cabelos lisos. Então, decidi parar de alisar e durante todos os dias da transição eu nunca usei chapinha. Eu não queria mais ter cabelo liso. Minha meta passou ser esperar meu cabelo crescer e conhecer ele de novo, gostar dele, cuidar… Afinal, desde pequena minha relação com meu cabelo era sempre de insatisfação, nunca tive amor por ele.

     

     

    Confesso que minha autoestima ficou MUITO baixa, vários momentos fiquei pensando se eu seria forte mesmo para aguentar esperar e lidar com a dupla textura. Mas sempre tive ao meu redor amigos, família e meu namorado, eles sempre me apoiaram. Logo, em nenhum momento tive que lidar com comentários que me incentivavam a desistir. Muito pelo contrário, sempre recebi todo o carinho e suporte emocional para lidar com os múltiplos sentimentos e pensamentos que a transição nos traz. Assim, quase todas as semanas eu ia cortando um pouco das partes lisas (somente nesses momentos me chamavam de “corajosa”/”doida”, porque nunca tive medo da tesoura). Em maio de 2016 fiz meu big chop, eu mesma, sozinha em casa, às nove horas da noite (não tinha hora para cortar, quando me dava vontade eu metia a tesoura, e nesse dia resolvi ser radical). Aos poucos meu cabelo foi ganhando forma, aprendi a cuida-lo e amá-lo. Foi a melhor coisa que fiz, primeiramente, por mim como pessoa, segundamente, pela saúde e beleza do meu cabelo.

     

     

    O que é autoestima pra você? Autoestima é poder se sentir linda sendo você mesma. É poder se olhar no espelho e se sentir feliz, sem precisar ceder aos padrões sociais para se sentir aprovada. 

    O que mudou na sua vida depois que você se aceitou? Mudou TUDO. A minha forma de pensar, meu amor próprio e minha autoestima. Hoje me sinto feliz sendo eu mesma. Olho meu cabelo e sinto satisfação, porque sei que ele é assim, e é lindo do jeito que é. Além disso, até os detalhes mais simples mudaram. Hoje posso ir na piscina, na praia, suar… de forma tranquila, sem me preocupar que depois meu cabelo ficará horrível e que terei que lavar, secar e alisar para ficar bonita. Também posso sentir o vento e pegar chuva. Posso viajar e não me preocupar como vou lidar com meu cabelo durante esse tempo fora de caso. Enfim, posso ser eu mesma. Posso amar cada detalhe feito por Deus em mim.

    1. Aline maio 08, 2018

      Gente olha a transformação dela eu amei. ficou mais linda assim parabéns luiza

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